Versos dos Bares, Cantos do Rio - Barão da Mata
Reuni aqui uma compilação dos meus poemas que têm ambientação nos bares e na atmosfera do Rio. Barão da Mata
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
TANGO CARIOCA
Quando chegaste com teus sorrisos
e te sentaste defronte a mim,
tua figura era só viveza,
minha esperança era tão cansada.
O teu decote era tão ousado,
O teu vestido, cheio de estampas
em tons vermelhos e sensuais,
com transparências bem provocantes.
A tua face se iluminava
E irradiava tão pura vida,
era alegria que assim pulsava
que transbordava por todo o bar.
Quando dançavas, arrebatada
pelos pandeiros, pelas violas,
o teu requebro, que era tão mágico,
te transformava numa cigana.
Tinhas o riso tão atrevido,
Tinhas os olhos tão petulantes,
me fascinavas como se eu fosse
algum menino sem ter vivência.
O teu olhar bem me cativava,
me transformavas em teu brinquedo,
que, qual criança que não tem zelo,
tu usarias com teu desleixo.
O teu dançar, que contagiava
todos os homens, todas mulheres,
já te fazia não mais humana,
mas entidade bem poderosa.
Eu, indefeso de tão tristonho,
via teu brilho por entre as luzes
do bar alegre, da lua, estrelas,
que não brilhavam mais do que tu.
Eu, destoando das alegrias
daquela noite, da tua dança,
fugi de ti, do teu grande encanto,
porque temi que me devorasses,
porque temi que me consumisses.
2010
e te sentaste defronte a mim,
tua figura era só viveza,
minha esperança era tão cansada.
O teu decote era tão ousado,
O teu vestido, cheio de estampas
em tons vermelhos e sensuais,
com transparências bem provocantes.
A tua face se iluminava
E irradiava tão pura vida,
era alegria que assim pulsava
que transbordava por todo o bar.
Quando dançavas, arrebatada
pelos pandeiros, pelas violas,
o teu requebro, que era tão mágico,
te transformava numa cigana.
Tinhas o riso tão atrevido,
Tinhas os olhos tão petulantes,
me fascinavas como se eu fosse
algum menino sem ter vivência.
O teu olhar bem me cativava,
me transformavas em teu brinquedo,
que, qual criança que não tem zelo,
tu usarias com teu desleixo.
O teu dançar, que contagiava
todos os homens, todas mulheres,
já te fazia não mais humana,
mas entidade bem poderosa.
Eu, indefeso de tão tristonho,
via teu brilho por entre as luzes
do bar alegre, da lua, estrelas,
que não brilhavam mais do que tu.
Eu, destoando das alegrias
daquela noite, da tua dança,
fugi de ti, do teu grande encanto,
porque temi que me devorasses,
porque temi que me consumisses.
2010
O BAR
No bar onde se apresentavam
Cantores de muita poesia,
Havia uma mulher que cantava
E um homem que não se iludia.
Havia um rapaz que sonhava
E uma mulher que sofria.
Alguém a vida adorava,
Alguém a morte pedia.
A música a alguns tocava,
A outros nada dizia.
Um grupo, feliz, dançava,
Um grupo mal se mexia.
Havia um ser que odiava
E um outro que apenas bebia.
Um jovem casal se beijava,
Um outro se repelia.
Alguém, sozinho, chorava,
Um trio de amigos sorria.
Um revoltado, inflamado, bradava,
Um indiferente mal o ouvia.
Um bêbado a língua enrolava,
Um sóbrio apenas sorria.
Diversas emoções se notavam,
Belas canções se seguiam.
Havia também a apatia,
E a noite apenas seguia.
2010
Cantores de muita poesia,
Havia uma mulher que cantava
E um homem que não se iludia.
Havia um rapaz que sonhava
E uma mulher que sofria.
Alguém a vida adorava,
Alguém a morte pedia.
A música a alguns tocava,
A outros nada dizia.
Um grupo, feliz, dançava,
Um grupo mal se mexia.
Havia um ser que odiava
E um outro que apenas bebia.
Um jovem casal se beijava,
Um outro se repelia.
Alguém, sozinho, chorava,
Um trio de amigos sorria.
Um revoltado, inflamado, bradava,
Um indiferente mal o ouvia.
Um bêbado a língua enrolava,
Um sóbrio apenas sorria.
Diversas emoções se notavam,
Belas canções se seguiam.
Havia também a apatia,
E a noite apenas seguia.
2010
BOTEQUIM
Não vou nem chorar
o preço que pago
por estar no mundo,
se é fim de semana,
tem muita bebida
neste botequim.
Vou já esquecer
o recente fracasso,
se é fim de semana,
tem mulher bonita
neste botequim.
Já nem me afeta
a recordação
de amargas passagens,
se é fim de semana,
tenho companheiros
neste botequim.
Nada mais me atinge,
se é fim de semana,
se resume a vida
a este botequim.
1980
o preço que pago
por estar no mundo,
se é fim de semana,
tem muita bebida
neste botequim.
Vou já esquecer
o recente fracasso,
se é fim de semana,
tem mulher bonita
neste botequim.
Já nem me afeta
a recordação
de amargas passagens,
se é fim de semana,
tenho companheiros
neste botequim.
Nada mais me atinge,
se é fim de semana,
se resume a vida
a este botequim.
1980
NOITE DESERTA
Na noite de surpreendente chuva as ruas se fizeram desertas
[subitamente.
Poucas vivas almas circulam, fugidias e apressadas,
e o meu peito, ávido de vida, teve de guardar dentro de si
uma ebulição da imensidade de uma gigantesca cachoeira.
Eu queria ir às ruas e buscar a vida, mergulhar na vida
com a voracidade sem virtude dos inveterados pecadores.
Queria que Dionísio cantasse com sua voz licenciosa
os louvores mais sonoros às orgias desmedidas.
Queria que as ninfas formassem um coral febril, luxuriante,
e, lascivas, dançassem e se despissem entre cantigas sensuais.
Que se entregassem sobre mesas de bodegas
a nós, homens, caçadores de emoções.
Mas as ruas estão desertas, e Dioníso dorme no Olimpo,
talvez em ressaca e no recesso de um dia de pecado.
As ninfas devem estar adormecidas nas matas, bêbadas e nuas,
ressonando no cansaço de horas mortas de esbórnia e de risadas.
O meu peito faz que está calado, mas dentro dele há o enorme estrondo
da queda das águas densas sobre o rio caudaloso.
Tão silente a noite, e minh'alma sequiosa de vida, transgressão e liberdade,
de cores e de brilhos, dança, de aventuras e de risos,
vai-se pouco a pouco acinzentando, até se enegrecer tal como a noite
e também se entristecer, se aquietar e, frustrada, também silenciar,
2010
[subitamente.
Poucas vivas almas circulam, fugidias e apressadas,
e o meu peito, ávido de vida, teve de guardar dentro de si
uma ebulição da imensidade de uma gigantesca cachoeira.
Eu queria ir às ruas e buscar a vida, mergulhar na vida
com a voracidade sem virtude dos inveterados pecadores.
Queria que Dionísio cantasse com sua voz licenciosa
os louvores mais sonoros às orgias desmedidas.
Queria que as ninfas formassem um coral febril, luxuriante,
e, lascivas, dançassem e se despissem entre cantigas sensuais.
Que se entregassem sobre mesas de bodegas
a nós, homens, caçadores de emoções.
Mas as ruas estão desertas, e Dioníso dorme no Olimpo,
talvez em ressaca e no recesso de um dia de pecado.
As ninfas devem estar adormecidas nas matas, bêbadas e nuas,
ressonando no cansaço de horas mortas de esbórnia e de risadas.
O meu peito faz que está calado, mas dentro dele há o enorme estrondo
da queda das águas densas sobre o rio caudaloso.
Tão silente a noite, e minh'alma sequiosa de vida, transgressão e liberdade,
de cores e de brilhos, dança, de aventuras e de risos,
vai-se pouco a pouco acinzentando, até se enegrecer tal como a noite
e também se entristecer, se aquietar e, frustrada, também silenciar,
2010
PASSISTA
Lá vem a passista, dançante, maneira,
Trazendo no rosto a luz de um sorriso.
Rebola a passista em trajes sumários.,
E os homens desejam deitá-la em seus leitos.
Na pista ela samba, ela canta, fulgura,
E os homens, sedentos, sonhando pecados.
Negra, vibrante, lasciva, tão linda!
É dona da quadra, rainha da noite
E pega nas mãos fragmentos de estrelas
E espalha na quadra alegria tão grande,
Que o mundo inteiro parece dançar.
2009
Trazendo no rosto a luz de um sorriso.
Rebola a passista em trajes sumários.,
E os homens desejam deitá-la em seus leitos.
Na pista ela samba, ela canta, fulgura,
E os homens, sedentos, sonhando pecados.
Negra, vibrante, lasciva, tão linda!
É dona da quadra, rainha da noite
E pega nas mãos fragmentos de estrelas
E espalha na quadra alegria tão grande,
Que o mundo inteiro parece dançar.
2009
MORENA
Vai, morena,
caminha, morena,
rebola, morena,
a bunda morena
à beira do mar.
Bebe, morena,
te deita, morena,
te doura, morena,
ao sol escaldante,
me deixa te olhar.
Abre, morena,
o sorriso menino,
permite, morena,[
eu ser teu devasso
por hoje somente.
Vamos, morena,
viver neste dia
dourado e de luz
um doce poema
de amor e de ais.
2010
caminha, morena,
rebola, morena,
a bunda morena
à beira do mar.
Bebe, morena,
te deita, morena,
te doura, morena,
ao sol escaldante,
me deixa te olhar.
Abre, morena,
o sorriso menino,
permite, morena,[
eu ser teu devasso
por hoje somente.
Vamos, morena,
viver neste dia
dourado e de luz
um doce poema
de amor e de ais.
2010
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