quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A POESIA DO COTIDIANO


Os carros, o asfalto, o concreto, a correria
Das pessoas que adentram, superlotam conduções.
As sacolas, as maletas, as buzinas e os sinais.


Mulheres nos portões à espera dos maridos.
O pai botou o filho pra casa a safanões.
A morena ficou linda no vestido esvoaçante.


Nas vitrines, roupas, ferramentas, alimentos.
Um comerciante comemora bons negócios,
E o trânsito irritante já começa a emperrar.


Numa casa simples alguém ouve a Ave-Maria.
Gente a saltar dos ônibus, chegando do trabalho.
Um pardal retardatário procura pelo ninho.


Uma moto quase bate contra um carro,
E o homem de casaco que ali passa
Mais parece um marginal.


Na fachada de uma casa, há a estátua de um santo.
Casais adolescentes se encontram nas esquinas.
No céu há um filete de sol a se esconder.


A gente já começa a entrar nos botequins.
Nas mentes há projetos ou vagos pensamentos,
Nos corações, emoções ou letargia.


A mulher gorda traz bolsas cheias do mercado.
Um grupo de homens discute futebol.
Carros de todos os tipos passam soprando fumaça.


Ruas suburbanas, poeirentas e cinzentas,
O fim da tarde, os bares, os carros, os casais:
É o crepúsculo a se cobrir da cotidiana poesia.

1997

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